RESSURREIÇÃO: fé, facto ou ficção?

            A fé cristã que emana da Bíblia Sagrada tem o seu fundamento essencial na morte expiatória e na ressurreição de Jesus Cristo.

            A morte expiatória significa que Jesus Cristo, como Deus feito Homem, cem por cento Deus e Homem, assumiu a morte não como um mártir mas como Salvador. A Sua morte aconteceu em nosso lugar, tratou-se de uma morte substitutiva. Jesus Cristo morre para que nós não vivamos eternamente separados de Deus, condenados ao Inferno da nossa desobediência, rebeldia, orgulho, arrogância, auto-suficiência, e toda a sorte de pecado e suas consequências de sofrimento, violência, crime, injustiça, fome, doença, vício, disfunções, ódios, vinganças, etc.

            Mas é a ressurreição de Jesus Cristo que atesta a Sua vitória sobre a morte que é resultado do pecado. O homem não foi criado para a morte, nem para viver dominado pela maldade e pelo pecado. O homem foi criado para a vida e para o Seu autor. O homem foi criado para viver na companhia e em harmonia com Deus.

            Segundo evangelho a ressurreição de Jesus Cristo é um facto que projecta e sustenta a fé. A fé cristã não é uma fé abstracta, baseada num conjunto de declarações, de dogmas, de doutrinas desvinculadas da realidade histórica. O evangelho é a afirmação histórica da existência de Deus entre nós em Jesus Cristo, da Sua morte em nosso lugar e da Sua ressurreição.

            O Espírito Santo pelo apóstolo Paulo é de tal modo radical que chega ao ponto de afirmar categoricamente que se Jesus Cristo não ressuscitou então a nossa fé cristã é vão, não tem qualquer valor, é destituída de razão de ser e de implicações práticas no presente e no futuro, e a única alternativa que daí resulta é viver uma vida centrada no comer e no beber que amanhã morreremos e acaba-se tudo.

            Ninguém assistiu à ressurreição de Jesus porque ninguém estava dentro do túmulo quando Ele ressuscitou. É um contra-senso pretender colocar em causa a ressurreição de Jesus só porque não existiram testemunhas oculares. Mas certamente todos nós já aprendemos o suficiente da vida para percebermos que ninguém é convencido contra a sua vontade, quando não quer. Também é um absurdo pretender negar a ressurreição de Jesus só porque tal realidade não é comum. O que importa é saber se ela ocorreu ou não, não importando se é uma ocorrência única ou não. Jesus Cristo distinguiu-se de todos os restantes seres humanos, precisamente porque Ele era muito mais do que um ser humano.

            A Bíblia, pela escrita do apóstolo Paulo, enumera um vasto número de testemunhas que tiveram encontros com Jesus ressurrecto. "Eu transmiti-vos ao princípio o que era mais importante e que também me foi transmitido: que Jesus Cristo morreu pelos nossos pecados, conforme as Escrituras, foi sepultado, e três dias depois ressuscitou dos mortos, conforme as Escrituras. Foi visto por Pedro, e mais tarde pelo resto dos Doze. Depois disso foi visto também por mais de quinhentos discípulos numa ocasião, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já morreram. Depois foi Tiago quem o viu, e mais tarde todos os apóstolos. Por último também apareceu-me a mim, muito depois dos outros; é como se eu tivesse nascido fora do tempo. Porque eu sou o menos merecedor de todos os apóstolos, e nem deveria ser digno de ser considerado apóstolo da maneira como tratei a igreja de Deus." (1 Coríntios 15:3-9 - tradução "O Livro)

            Apesar de Jesus ter referido mais do que uma vez antes da Sua morte que ressuscitaria, os discípulos face a todo o poder manifesto por Ele, nunca acreditaram que morreria e que voltaria à vida. Quando Jesus foi entregue para ser crucificado e quando o Seu corpo foi colocado no sepulcro, os Seus seguidores e amigos refugiaram-se certamente com receio de possíveis represálias dos religiosos judeus ou da população que entretanto havia reclamado a crucificação do Mestre. Temos certamente dificuldade em alcançar toda a desilusão que se abateu sobre os companheiros de Jesus. Como era possível que Aquele que deu vista aos cegos, que curou os leprosos e os paralíticos, que multiplicou o pão e os peixes, que acalmou as tempestades e ressuscitou mortos estivesse agora, Ele mesmo, morto e sepultado? Todo o sonho da restauração do reino de Israel, do reino de Deus entre os homens, de uma sociedade harmoniosa e de um novo homem esboroava-se entre os seus dedos. Não queriam acreditar que Jesus não tivesse podido fazer nada, quando Ele mesmo dissera que podia pedir ao Pai a própria intervenção dos anjos e que assim sucederia. Como é que era possível que alguém tivesse tanta intimidade com o Pai ao ponto de tratar a Deus como Pai, de afirmar que quem o via a Ele via o próprio Pai e quem o conhecia, conhecia o Pai, ou que o Pai e Ele eram um, tivesse morrido a morte maldita no madeiro?

            Os discípulos foram apanhados de surpresa talvez mais do que os próprios religiosos que temendo que tal pudesse acontecer tinham pedido a Pilatos uma escolta romana para guardar o túmulo, mais do que o governador romano que não satisfeito com isso mandou colocar o selo romano na pedra do túmulo. Quem se atrevesse a quebrar este selo ou a violar o sepulcro seria morte sem apelo nem agravo. A soldadesca teria o mesmo fim se negligenciasse a sua missão. A disciplina dos soldados romanos era de um rigor total. Mesmo depois de morto Jesus ainda preocupava as autoridades. Nunca um morto afligiu tantas pessoas.

            Algumas mulheres para uns "ingenuamente", para outros demonstrando uma ousadia alimentada por todo o carinho e gratidão para com a memória de Jesus, estavam dispostas a correr todos os riscos não para roubar o corpo do defunto, mas para concluir os cuidados habituais interrompidos por causa da preparação do sábado. Encontraram não um túmulo fechado, mas a pedra removida e em meio às lágrimas de uma delas, julgando que estava a falar com o jardineiro, Jesus aparece ressuscitado pela primeira vez.

            Um dos discípulos quando confrontado com outra das aparições de Jesus quando estando ele ausente, declarou que nunca acreditaria a não ser que visse o sinal dos cravos nas suas mãos, e se não pusesse a sua mão no lado trespassado pela lança do soldado romano. Tornou-se proverbial esta postura, sendo que ainda hoje é vulgar ouvirmos dizer "ver para crer, como Tomé". Perante a aparição de Jesus em carne e osso, não como um espírito ou um fantasma, exclamou: "Meu Senhor e meu Deus!" (João 20:28)

            A ressurreição é um facto na qual está alicerçada a fé cristã. O evangelho é a boa notícia dos acontecimentos que mudaram a história da humanidade, e que ainda hoje mudam a história da vida de cada pessoa. A concretização das promessas e das profecias que atravessam toda a história desde a qudea no Jardim do Éden pela desobediência de Adão e Eva. Em Jesus Cristo e por Ele podemos viver aqui e agora como filhos de Deus, e com a expectativa de uma vida eterna de felicidade sem limites.

            Por esta mensagem os discípulos à excepção de João, segundo a tradição, deram a sua vida, porque não era possível calarem ou negarem o que eles sabiam, sem qualquer sombra de dúvida, que era verdade. A eternidade valia mais do que qualquer vantagem terrena. Todos os sacrifícios, incluindo o da própria vida, valia a pena, porque eles sabiam que Jesus estava vivo e os aguardava no céu. A ressurreição de Jesus e o baptismo com o Espírito Santo fizeram a diferença. De discípulos vencidos pela desilusão, tornaram-se destemidos proclamadores da morte e ressurreição de Jesus Cristo a favor de toda a humanidade. Esta mensagem venceu os séculos e todas as vicissitudes e chegou até nós. Mais importante do que o homem ter chegado à lua, é o facto de Deus ter vindo até nós por Jesus Cristo, e ter vencido a morte e o pecado. Em Jesus Cristo não há lugar a mais culpa ou medo agora e para sempre. A ressurreição de Jesus é o facto que torna a fé cristã única e singular. A cruz e o sepulcro de Cristo estão vazios. Os restos mortais dos grandes líderes religiosos continuam entre nós. Jesus não é um líder religioso, Ele é Deus entre nós, o Senhor e o Salvador. Quem nele crê tem a vida eterna!

 

Samuel R. Pinheiro
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SOBRE NÓS

Nasci na cidade de Coimbra a 8 de agosto de 1956, tenho duas irmãs, sou casado com Isabel Pinheiro há 33 anos, e temos uma filha Ana Pinheiro com 23 anos.

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